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Mais Forte que Bombas (2015)

Título Original: Louder Than Bombs
Título no Brasil: Mais Forte que Bombas
Diretor: Joachim Trier
Roteiro: Eskil Vogt e Joachim Trier
Sinopse: Uma exposição que celebra a fotógrafa Isabelle Reed três anos após sua morte prematura traz o filho mais velho dela, Jonah, de volta para a casa da família, forçando-o a passar mais tempo com seu pai Gene e seu afastado irmão mais novo Conrad do que passou em anos. Com os três sob o mesmo teto, Gene tenta desesperadamente se conectar com seus dois filhos, mas eles precisam lutar para conciliar seus sentimentos sobre a mulher da qual se lembram de maneiras tão distintas.


ALERTA DE SPOILERS!


Como lidamos com a memória de quem partiu?

Mais Forte que Bombas não se propõe a responder a essa pergunta, na verdade, o terceiro filme de Joachim Trier está interessado em mostrar como memória e a tristeza e até momentos fugazes estão entrelaçados quando pensamos em alguém que partiu. Como a mesma pessoa pode ser vista e amada de maneiras diferente por pessoas na qual ela convive.

Isabelle Reed (Isabelle Huppert) era uma famosa repórter de guerra que sofreu um acidente de carro. Três anos depois, uma exposição em sua homenagem resolve trazer seus trabalhos mais famosos, procurar por novos que ela possa ter deixado em casa e remexer em velhas feridas. O jornalista amigo de Isabelle diz para Gene (Gabriel Byrne), ex-marido de Isabelle, que irá escrever um artigo e a verdade sobre a morte da fotógrafa.

Esse é o enredo apresentado para começarmos a acompanhar de forma estilhaçada como se uma bomba tivesse sido explodido na vida dessa família. Pulando nas memórias, fragmentos e estilhaços, acompanhamos Gene (ex-marido), Jonah (filho mais velho) e Conrad (filho mais novo) lidar com as memórias de Isabelle.

Conrad (Devin Druid) não sabe que sua mãe cometeu suicídio. E Jonah (Jesse Eisenberg) e Gene parecem ter opiniões diferentes sobre contar ou não. Conrad é um adolescente no ensino médio que não consegue se conectar com o pai, ele não se conecta com muitos amigos e ele foge do clichês de adolescentes rebeldes enquanto acompanhamos sua jornada de tristeza pela perda da sua mãe e seus aprendizados sobre necessidades, desejos e segredos.

Jonah, o filho mais velho, acabou de formar uma família e também parece ter dificuldades de se conectar com sua esposa. As memórias que guarda da mãe e a descoberta de coisas que sabia dela, o faz questionar como anda suas escolhas atuais e seus fragmentos de memória de como ele realmente a enxergava.

Gene se ressentia pela mulher não poder fazer parte da família como uma família. Parte do relacionamento entre eles parecia não funcionar.

O último ponto de vista fragmentado que Mais Forte que Bombas nos apresenta é o da própria Isabelle Reed. Mesmo tendo partido e não fazendo mais parte da família, suas memórias ainda afetam fortemente aqueles que ficaram e muitas das suas ações são mostradas pelo seu ponto de vista e vemos ela era completamente diferente do que os jornais, seu marido ou mesmo seus filhos enxergavam.

Todos esses personagens navegaram em seu campo minado de ressentimentos, dor, alegria, luta e procuraram em memórias algo que pudesse lhes trazer conforto ou raiva ou qualquer sentimento que exprimisse algo pela perda.

Como estilhaços de uma bomba, de forma lenta e gradual, Mais Forte que Bombas compõe um quebra cabeça de memórias, lutos e pessoas quebradas tentando reconstruírem os laços que a formavam como família.

O filme está disponível na netflix.


Vanessa de Oliveira

A Subjetividade das obras de Joachim Trier

Foto por: The Last Magazine

Joachim Trier é um roteirista e diretor norueguês com grande destaque no mundo do cinema desde o lançamento do seu primeiro longa metragem, Reprise (no Brasil, Começar de Novo - 2006). Trier tem chamado a atenção por histórias subjetivas sobre a complexidade humana e suas relações.

O sentimento de pertencimento ou não pertencimento, solidão, sensação de isolamento e desolação enquanto a alegria é construída em momentos genuínos é permeada por todas as obras do diretor. Isso pode ser facilmente encontrada em sua obra Reprise (2006), Oslo 31 de Agosto (2011), Mais Forte que Bombas (2015) e em pedaços de Thelma (2017).

Trier é um dos cineastas mais emocionantes que está moldando a construção do cinema moderno. Reprise ganhou o estimado Discovery Award do TIFF (Tororonto International Film Festival), os dois filmes seguintes de sua carreira estrearam no Festival de Cannes, o principal festival de cinema do mundo. Reprise e Thelma foram a principal escolha da Noruega para o Oscar em Melhor Filme para Língua Estrangeira. Assim como ganhou como Melhor Diretor do Amanda Awards - equivalente ao Oscar da Noruega - por seus três primeiros filmes e Eili Harboe de melhor atriz em Thelma no Mar del Plata Film Festival.

O New York Times continua repetindo que ele está na lista dos 20 diretores que você tem que assistir.

Enquanto dirige, todos os seus filmes são co-escritos com Eskil Vogt.

A arte cinematográfica é constantemente comparada aos livros. Muitos dizem que o cinema não consegue alcançar o lirismo da literatura, transparecer toda a subjetividade, as profundas percepções psicológicas e empatias de seus personagens para a tela ainda é um assunto discutido entre os amantes da sétima arte e os amantes das letras.

Mas esse não é um problema para Trier.

Enquanto explora personagens profundos e relações humanas, Trier traça seu próprio estilo cinematográfico que passa pelas suas inspirações francesas, o realismo social, melancolia. Ele passa por histórias melancólicas para um thriller num piscar de olhos sem deixar de explorar relações humanas e suas ligações.

Todos os seus filmes são conectados por um elemento em comum: relações. Relações entre amigos, relações entre família e principalmente relações pessoais que interferem tão profundamente no modo de como esses personagens encaram suas realidades e suas adversidades, suas dores, suas felicidades e seus momentos de conexão.

Deixarei a sinopse de cada uma das obras aqui embaixo e continuem acompanhando o blog, porque estarei fazendo uma análise de cada uma dessas obras nas próximas semanas.

Reprise (2006)


Dois jovens de 20 e tantos anos, amigos de infância, amantes de literatura e música punk, tentam ambos lançar seu primeiro livro, enviando juntos os seus escritos para uma editora. Enquanto Philip consegue obter o feito, e ganhar fama da noite para o dia, Erik tem seu escrito recusado. Philip, porém, acaba tendo problemas, já que não consegue lidar com o seu sucesso, e Erik segue em frente na tentativa de obter uma nova chance.


Oslo, 31 de Agosto (2011)

O filme mostra um dia na vida de Anders, um jovem viciado em reabilitação, que consegue uma breve licença para deixar seu apartamento a fim de comparecer a uma entrevista de emprego e encontrar velhos amigos em Oslo.


Mais Forte que Bombas (2015)

Uma exposição que celebra a fotógrafa Isabelle Reed três anos após sua morte prematura traz o filho mais velho dela, Jonah, de volta para a casa da família, forçando-o a passar mais tempo com seu pai Gene e seu afastado irmão mais novo Conrad do que passou em anos. Com os três sob o mesmo teto, Gene tenta desesperadamente se conectar com seus dois filhos, mas eles precisam lutar para conciliar seus sentimentos sobre a mulher da qual se lembram de maneiras tão distintas.

Thelma (2017)


Thelma é uma jovem tímida que acaba de deixar a casa dos pais para estudar em Oslo, onde vive seu primeiro amor. Seu relacionamento é logo afetado pela intromissão opressiva de sua família, que com suas crenças religiosas fundamentalistas conseguem afetar a vida da jovem. Quando Thelma fica chateada, coisas estranhas começam a acontecer e esses fenômenos sobrenaturais só aumentam. Enquanto busca respostas sobre esses poderes que ela não consegue controlar, seus pais severos e religiosos se preparam para o pior.

Você encontra as criticas aqui:



Vanessa de Oliveira